Summary: O intemperismo de petróleo está relacionado com as transformações físicas, químicas e biológicas que ocorrem quando o petróleo é acidentalmente derramado no mar. Os processos de intemperismo ocorrem simultaneamente no meio ambiente e cada transformação é manifestada por uma sequência genérica, desde o instante inicial da exposição da mancha de óleo ao ambiente marinho até a ocorrência dos processos mais avançados de degradação (DALING et al., 2014; GIACOLETTI et al., 2018).
Vários são os processos simultâneos envolvidos no intemperismo do petróleo exposto ao meio ambiente. No início, as ações mais expressivas são relacionadas à evaporação, dissolução, dispersão natural e espalhamento devido ao movimento e agitação da água do mar. Em seguida, ocorrem as degradações devido ao calor, à incidência solar e à composição da água do mar. A partir de 6 horas do derramamento, geralmente acontece a sedimentação e a foto-oxidação; após 10 horas, a biodegradação; e a partir de uma semana, a emulsificação (FINGAS, 2014; AFENYO; VEITCH; KHAN, 2016).
Informações importantes para eficiência da resposta de mitigação em um derramamento são obtidas pelo conhecimento prévio das propriedades físico-químicas do petróleo fresco e intemperizado, sua trajetória após derrame, tempo de permanência no ambiente, processos intempéricos de maior ocorrência, especificidades da região e do óleo quanto à degradação ou formação de emulsões com a água do mar. Os principais métodos conhecidos como ações de mitigação de óleo derramado são: remoção mecânica, dispersão química, queima in situ e biorremediação (DALING et al., 2014; FARWELL et al., 2009; WANG et al., 2014).
A simulação das transformações decorrentes dos processos de intemperismo nos diferentes tipos de petróleos quando associada aos estudos sobre desempenho dos dispersantes químicos tem a capacidade de auxiliar a tomada de decisão quanto à estratégia de mitigação mais promissora, com base em dados de estudos empíricos.
Os dispersantes químicos são surfactantes aplicados em manchas oleosas com objetivo de diminuir a tensão interfacial entre óleo e água, aumentando sua área superficial, e promovendo a dispersão das gotículas de óleo na coluna d'água com auxílio da energia das ondas, que potencialmente favorece a biodegradação do óleo no ambiente (WANG; FINGAS, 2003; FINGAS et al., 2003).
Estudos sobre a interação dos constituintes de dispersantes químicos com os vários tipos de petróleos permitem antecipar as melhores alternativas de resposta diante de um evento de derrame de óleo no mar (DALING et al., 1990; FARWELL et al., 2009; WANG et al., 2013). Assim, conhecimentos prévios sobre o desempenho de dispersantes frente a petróleos frescos e intemperizados, não apenas suportam a decisão pelo uso ou não de dispersantes químicos, mas permitem estimar as janelas temporais ideais para seu uso eficiente, conferindo segurança e previsibilidade quanto à aplicação de dispersantes em situações envolvendo vazamentos de óleo.
Fingas e colaboradores (2003) demonstraram que a eficiência do dispersante está diretamente relacionada com a energia das ondas do mar, as propriedades físico-químicas do petróleo e seu grau de intemperização. Outros fatores que influenciam no desempenho do dispersante estão relacionados com sua composição, forma de aplicação e características hidrogeoquímicas do ambiente impactado.
O intervalo de tempo em que o petróleo permanece no ambiente estabelece relação com o dimensionamento de um potencial impacto, pois as transformações intempéricas aumentam com a progressão do tempo, sugerindo uma situação de maior complexidade, que podem limitar as possibilidades de estratégias da contingência, reduzindo os níveis de recuperação mássica (DALING et al., 1990; STIVER; MACKAY, 1984).
Logo, para o uso dos dispersantes com o máximo desempenho é importante o desenvolvimento de estudos envolvendo análises laboratoriais associadas à aplicação dos resultados analíticos em modelos de correlação entre as propriedades de diferentes tipos de petróleos frescos e intemperizados e das respostas do desempenho dos dispersantes nestes óleos. Espera-se, com este estudo, a ampliação do conhecimento sobre as relações entre parâmetros físico-químicos dos petróleos brasileiros intemperizados e a eficiência de diferentes dispersantes químicos, de forma a aumentar a previsibilidade quanto à abordagem mitigatória mais eficiente em diferentes situações.
Starting date: 10/10/2022
Deadline (months): 44
Participants:
| Role |
Name |
|---|---|
| Collaborator * | KARLA PEREIRA RAINHA |
| Coordinator * | EUSTAQUIO VINICIUS RIBEIRO DE CASTRO |
| Researcher * | SANDRA APARECIDA DUARTE FERREIRA |
| Researcher * | WARLEY DE SOUZA BORGES |
| Researcher * | CLEOCIR JOSÉ DALMASCHIO |
